E lá se vai você, mais uma vez.
Outra vez depois daquela.
Deixando no escuro das horas o silêncio e os olhos baixos.
Escapando enquanto a madrugada espia a manhã.
É a covardia muda alardeando a amargura que virá.
É o desejo abolido sem pesar.
Outra vez e lá se vai.
O amor que nunca foi meu.
O desgosto que nunca foi seu.
Omitindo a razão do ato impensado.
De fugir sem sofrer.
De ter sem ter.
Até clarear o dia e perceber a alma vazia.

