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Os lençóis estavam postos a te esperar. 

A timidez do convite, o encanto do aceite, culpa da Stella, talvez…

As paredes alvas e desnudas, as luzes frias, testemunhas silenciosas do primeiro querer.

Os beijos se propagaram no escuro e minutos depois foi preciso parar pra respirar e admirar o corpo lânguido posto sobre mim.

Era preciso fotografar os instantes, transformar em memória todos os sentidos daquela madrugada.

O embaraço dos abraços, o cheiro aceso na pele, o fogo fervendo nas veias.

As mãos que se excitavam nos contornos dos seios, das coxas, dos cabelos.

Seu ventre estreito e loiro, os olhos e o olhar, o som do seu sorrir.

É… eu tinha que calar e sentir e entender que já não cabia mais negar…

Já era amor e era você.

“O Amor, que não ousa dizer seu nome,”

Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia.

E ele, inebriado pela cotovia

(que paira à janela, mas depois some…),

Sentiu crescer, súbito, na alma, u’a fome

De algo que, até então, desconhecia.

Desejo… estranheza… culpa… agonia…!

Desce aos umbrais, na angústia que o consome! …

porém, depois das lágrimas enxutas,

Chamou a cotovia, deu-lhe frutas,

E sorveram, um no outro, a própria essência.

E ambos, nessa atração de semelhantes,

Num cingir de músculos, os amantes

Ergueram-se aos portais da transcendência.”

Para celebrar meu amor e a primeira vitória dos iguais…

Por você eu mudei o rumo do olhar

Infinitas horas pra te amar

tardes quentes pra te despir

dias encantados pra te brindar

um Pacífico inteiro pra te navegar…

Me prendi por sua vontade

rezei pra Deus te guardar

noites insones pra te velar

um palácio pra te construir

canções de amor pra te cantar…

Com você eu sonhei o mundo e o futuro

músicas do dia pra te lembrar

escrevi pra te ganhar

brincadeiras pra te divertir

cresci uma cordilheira pra te alcançar…

É o seu caminho pra seguir

mais uma dança nossa pra ensaiar

outros verbos pra rimar

porque só você me fez

te olhar sempre e pensar

“eu me apaixonei tudo outra vez”

O banho não esquentou e o vapor não me deixou escrever no vidro o seu segredo que sempre tem que desaparecer de todo traço.

Foi preciso falar em voz alta e quase gritar pra você não me ouvir. Pra você, outra vez, dar as costas e fugir.

Outra manhã sem que nada mais despedaçasse meu coração, as ruas vazias da sua saudade e o assobio sombrio da nossa música.

Foi preciso correr ladeira acima e sufocar pra, outra vez, não te alcançar.

Era o sonho do barulho sem fim, das trovoadas da nossa chuva à espera de refúgio pra viver à margem da minha curva na sua estrada.

Não era pra acontecer. Eu não precisava sentir. Você não podia esquecer. A água não devia esfriar.

Toda benção depois de domingo pra quem não sabe rezar. Só se ama se sofrer. Todo verão só sabe arder. Você só me ganha pra perder.

Outra charada pra te guardar.

“Só vim aqui para dizer que te amo. Te amo eternamente. Porque sua presença acelera meu coração. Seu BOM DIA antes do café me acalma e me anima para um novo dia de trabalho com tarefas chatas para resolver, e você faz com que tudo fique alegre, colorido e com contraste. Suas músicas durante o dia, completamente diferente do meu gosto, você me faz gostar. Até mesmo quando me pede Celine Dion. Quando vejo seu nome em cinza o meu dia não é o mesmo. Você faz falta para me alegrar. Aos finais de semana em que você não está me entristeço, mas sigo por saber que segunda iremos nos encontrar e colocar o papo em dia. Te amo.”
E não é que na hora eu estava ouvindo Celine Dion?
http://www.youtube.com/watch?v=VTxnqUhhlIY

Que seja assim… leve e delicado

Com estações inabaláveis de arroubos apaixonados

De mansinho, sempre agora e não pra sempre

A tarde da noite de todo domingo

Os dias de sol chamando a chuva

O seu olhar seqüestrando meu amor

Que faleça todo passado amargo

Vamos lá… construir um tempo nosso

Um navio, uma ponte, outras histórias

Meus passos pra te seguir

Um altar pra te esperar

E outra vida inteira pra sorrir…

Outro 6!

Era outro 6 e eu escrevia infortúnios que pareciam não ter fim. “Colorblind” que produziu intermináveis lágrimas quando ouvi naquela noite de segunda feira. Mas aí você chegou e tudo virou motivo pra rabiscar papéis e paredes só pra dizer que eu ando amando. E hoje eu acho graça até das cores negras que fazem carnaval na minha aquarela.

Caio Fernando Abreu

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

O pior cego…

Liguei aquela música no último volume. Às 3 horas da manhã de um dia qualquer da semana que não fez a menor diferença se era útil ou inútil. Era a música que costumo ouvir com as vísceras e me pus a chorar. Era aquele ódio bastante contido que eu já conhecia e apenas demonstrava nas noites insones e só, ao som de Ravel.

Dezesseis minutos e seis segundos para pensar nos fragmentos da nossa história. O ombro sentindo o peso de dois mundos. E velhos abutres a me rodear. Todas as suas caras sempre postas do avesso pra eu ver somente o seu belo. Não importa mais. Era tudo uma grande ilusão. Eu ali bem idiota, enquanto você dissimulava sua tristeza inexistente, seu amor duvidoso. Como eu pude te acreditar?

Foi preciso meter o dedo na ferida outra vez e beber o sangue que jorrava.  De repente, eu que não via, enxerguei o que estava além de mim, bem dentro de você. Eu te interpretei. Era tudo um só pretexto pra esconder a sua covardia, camuflar a sua sacanagem. Os tímpanos vibraram e nove minutos e vinte e quatro segundos depois sua graça começou a fenecer.

E ao final daquele bolero o seu segredo já não era mais seu.

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