O banho não esquentou e o vapor não me deixou escrever no vidro o seu segredo que sempre tem que desaparecer de todo traço.
Foi preciso falar em voz alta e quase gritar pra você não me ouvir. Pra você, outra vez, dar as costas e fugir.
Outra manhã sem que nada mais despedaçasse meu coração, as ruas vazias da sua saudade e o assobio sombrio da nossa música.
Foi preciso correr ladeira acima e sufocar pra, outra vez, não te alcançar.
Era o sonho do barulho sem fim, das trovoadas da nossa chuva à espera de refúgio pra viver à margem da minha curva na sua estrada.
Não era pra acontecer. Eu não precisava sentir. Você não podia esquecer. A água não devia esfriar.
Toda benção depois de domingo pra quem não sabe rezar. Só se ama se sofrer. Todo verão só sabe arder. Você só me ganha pra perder.
Outra charada pra te guardar.